Por que a Uniqlo japonesa desistiu do mercado brasileiro: entenda os motivos

Interior de loja da Uniqlo no estilo japonês minimalista – por que a marca desistiu do Brasil em 2025 Interior de uma loja Uniqlo – a marca japonesa desistiu do Brasil antes mesmo de abrir várias unidades
A Uniqlo, renomada marca japonesa de roupas conhecida por sua qualidade, design inovador e presença global em mais de 1.300 lojas em 18 países, havia sondado o Brasil como porta de entrada para a América do Sul. No entanto, em fevereiro de 2025, a empresa anunciou a desistência de seus planos de expansão por aqui. O que levou a essa reviravolta? Vamos explorar os motivos reais por trás dessa decisão e analisar o impacto no varejo brasileiro.

Contexto da Uniqlo no Brasil

A Uniqlo chegou ao Brasil com ambições elevadas, enxergando o país como o maior mercado consumidor da América do Sul, com mais de 210 milhões de habitantes e um potencial enorme para o setor de moda. A estratégia inicial incluía parcerias com influenciadores locais, investimentos em branding e a abertura de lojas em shoppings premium de São Paulo, como Morumbi e Iguatemi.

Apesar do otimismo inicial, um estudo detalhado sobre o ambiente de negócios brasileiro revelou barreiras intransponíveis. As vendas projetadas não se materializaram, e a concorrência com marcas como Renner, C&A e Zara se mostrou mais feroz do que o esperado. Resultado: o plano de expansão foi arquivado antes mesmo de decolar de fato.

Motivos da Retirada da Uniqlo

1. Sistema Tributário Complexo e “Custo Brasil”

O principal vilão foi o infame “custo Brasil”, especialmente o sistema tributário labiríntico do país. Com uma teia de impostos federais, estaduais e municipais que variam por produto e região, a Uniqlo concluiu que os custos operacionais seriam proibitivos. Um estudo interno da marca destacou que a burocracia e as alíquotas elevadas (como ICMS e PIS/COFINS) elevariam os preços finais em até 30-40%, tornando os produtos menos competitivos.

Esse não é um caso isolado: o Brasil perde bilhões em investimentos estrangeiros anualmente por causa dessas barreiras estruturais, que incluem não só impostos, mas também logística ineficiente e regulamentações demoradas.

2. Desafios Logísticos e Infraestrutura

Além dos impostos, a infraestrutura precária do Brasil complicou os planos logísticos da Uniqlo. Importar tecidos e roupas do Japão ou de fábricas asiáticas envolve atrasos em portos, custos altos de frete interno e riscos com greves e instabilidades. Em um país continental como o nosso, distribuir para São Paulo, Rio e interior seria um pesadelo operacional, impactando diretamente a cadeia de suprimentos e os prazos de entrega.

3. Adaptação ao Consumidor e Concorrência Acirrada

A Uniqlo, famosa por seu estilo minimalista e funcional (como as camisetas HeatTech e AIRism), enfrentou resistência cultural. O brasileiro prefere cores vibrantes, estampas e cortes mais soltos, o que limitou o apelo da marca. Além disso, gigantes locais como H&M, Zara e as nacionais Renner e Riachuelo dominam o mercado com preços acessíveis e adaptação perfeita ao gosto local.

A concorrência exigia um investimento massivo em marketing e adaptação de produtos, algo que a Uniqlo optou por não arriscar em um mercado volátil como o nosso.

Impacto no Mercado Brasileiro

A desistência da Uniqlo reforça a percepção de que o Brasil é um “país do futuro que nunca chega”, perdendo oportunidades de gerar empregos (estimados em milhares de vagas diretas) e inovação no varejo de moda. Consumidores de classe média-alta, que sonhavam com opções premium acessíveis, agora ficam restritos a importações caras ou revendedores online duvidosos.

Para o varejo local, é uma vitória mista: menos concorrência direta, mas um alerta sobre a necessidade de reformas para atrair mais players globais. Marcas como Shein e Temu, que operam puramente online, continuam crescendo, mostrando que o e-commerce pode contornar alguns obstáculos físicos.

Em resumo, a saída da Uniqlo é um case clássico de como burocracia e infraestrutura freiam o potencial econômico do Brasil. Para empresas estrangeiras, o recado é claro: planeje com folga ou fuja. Para nós, brasileiros, é hora de pressionar por mudanças que tornem o país mais atrativo.

Perguntas Frequentes

Pergunta 1: Por que a Uniqlo desistiu do mercado brasileiro?

Resposta: Principalmente devido ao sistema tributário complexo e ao “custo Brasil”, que elevaria custos operacionais e preços finais, tornando a operação inviável.

Pergunta 2: A Uniqlo planeja retornar ao Brasil no futuro?

Resposta: Não há anúncios oficiais sobre um retorno, mas isso dependeria de reformas tributárias como a PEC da Reforma Tributária em discussão no Congresso.

Pergunta 3: A decisão da Uniqlo de sair do Brasil está relacionada à concorrência no mercado de varejo de moda?

Resposta: Sim, a concorrência acirrada com marcas locais e internacionais foi um fator, mas o tributário foi o golpe final.

Pergunta 4: A Uniqlo teve dificuldades com a logística e infraestrutura no Brasil?

Resposta: Absolutamente: atrasos em importações e distribuição interna foram obstáculos significativos para a cadeia de suprimentos.

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