Grupo The Best prepara marca de sorvete proteico para chegar ao varejo

sorvete proteico

O Grupo The Best informou que prepara o lançamento da Match Protein, uma marca independente de sorvete proteico voltada ao varejo alimentar e ao delivery. O lançamento comercial estava previsto para ocorrer até 10 de novembro de 2026, inicialmente no Paraná e em São Paulo, com foco especial na capital paulista.

Segundo informações divulgadas pela companhia à EXAME, o plano prevê cerca de R$ 5 milhões em investimento até dezembro de 2026. A Match Protein deverá ser produzida pela Amadelli, indústria do próprio grupo, e poderá usar lojas da The Best Açaí como pontos de apoio para entregas.

Mais do que uma ampliação de cardápio, o movimento indica uma tentativa de transformar ativos construídos no franchising — fábrica, cadeia de frio, franquias, delivery e presença regional — em infraestrutura para uma nova marca.

A execução, porém, ainda depende de etapas relevantes. Até 20 de outubro de 2026, não havia comunicado próprio da Match Protein, lista pública de pontos de venda, contratos com redes varejistas, rótulo completo ou ficha técnica disponíveis para consulta.

Fatos principais

IndicadorDado
Estágio do projetoPré-lançamento; início comercial previsto até 10 de novembro de 2026
Investimento anunciadoCerca de R$ 5 milhões até dezembro de 2026
ProduçãoAmadelli, indústria e distribuidora do Grupo The Best em Ibiporã (PR)
Portfólio inicialTrês sabores: paçoca, morango e chocolate
Embalagem anunciadaPote de 500 ml
Alegação anunciada30 gramas de proteína por pote
Preço sugeridoAproximadamente R$ 49,90 por unidade
Delivery inicialMeta de ao menos 350 operações em novembro de 2026
Meta de distribuição3 mil pontos de venda em 2027
Receita projetadaR$ 40 milhões no primeiro ano de operação

Os números de investimento, receita, distribuição e ativação de delivery são projeções ou metas informadas pelo Grupo The Best. Não representam resultados já realizados.

A estratégia vai além de criar um novo produto

A decisão de lançar a Match Protein como marca separada, em vez de inserir o produto diretamente no portfólio da The Best Açaí, revela uma mudança de canal e de posicionamento.

A The Best Açaí construiu sua operação principalmente a partir de lojas franqueadas. Já a Match Protein foi anunciada com ambição de chegar a supermercados, outros pontos comerciais e aplicativos de entrega.

Isso pode permitir que o grupo alcance consumidores que não frequentam uma franquia de açaí, mas compram sobremesas congeladas em varejistas, empórios, academias ou por delivery.

A estrutura industrial já existente é um dos pilares desse plano. A Amadelli é apresentada pelo grupo como fábrica e distribuidora de açaí e sorvetes, instalada em Ibiporã, no Paraná.

Segundo a página institucional da The Best Açaí, a unidade possui 15 mil metros quadrados de área construída e capacidade citada de 80 toneladas diárias de açaí e sorvete.

Esse dado, no entanto, não informa qual parte da capacidade está disponível para a Match Protein, nem quanto da estrutura precisará ser adaptada para a nova linha. Também não foram divulgados volume inicial de produção, custos logísticos, prazo de validade, número de freezers ou cobertura da distribuição.

Ainda assim, o modelo anunciado sugere uma estratégia de extensão de capacidades: usar uma estrutura já montada para diminuir o tempo necessário para colocar uma marca nova no mercado.

Franquias podem funcionar como laboratório e canal de entrega

A companhia informou que pretende usar lojas da The Best Açaí como suporte para o delivery da Match Protein, mantendo identidade comercial própria no iFood. A meta divulgada era ativar ao menos 350 operações de delivery no início de novembro de 2026.

Na prática, esse desenho pode acelerar os testes comerciais. Uma rede que já possui pontos físicos, freezers, equipes treinadas para alimentos congelados e operação em aplicativos tende a partir de uma base diferente de uma marca que precisa construir toda a logística do zero.

A escala da The Best Açaí ajuda a dimensionar esse ativo. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) registrou 784 operações da marca no Ranking das 50 Maiores Franquias de 2025, no qual ela ficou na 25ª posição. O ranking apontou crescimento de 36,8% em relação ao período anterior.

A própria companhia, por sua vez, citou uma base de 850 lojas em outubro de 2026. No site institucional, fala em mais de 800 lojas ativas. Os dados não devem ser tratados como equivalentes, pois têm datas e possivelmente critérios diferentes.

Ter uma rede ampla não significa, porém, que todas as unidades participarão da operação. A empresa não divulgou quais franqueados aderirão ao modelo, como será feita a remuneração das lojas, quem responderá pelo estoque nem qual será o impacto operacional para cada unidade.

Esse ponto é importante porque o delivery de uma marca adicional pode gerar receita complementar, mas também aumenta a complexidade. Separação de pedidos, controle de temperatura, previsão de demanda, espaço em freezer e atendimento ao consumidor passam a disputar atenção com a operação principal da franquia.

O desafio muda quando o sorvete proteico chega ao supermercado

No varejo alimentar, o Grupo The Best informou que pretende instalar freezers próprios em estabelecimentos. Esse tipo de estrutura pode reduzir o investimento inicial do varejista em equipamento, mas não elimina a necessidade de provar giro de vendas.

A disputa no freezer é diferente da disputa em uma loja própria. A marca precisa negociar espaço, manter o equipamento, garantir reposição, evitar ruptura, administrar devoluções e justificar sua permanência no ponto de venda.

Para supermercados, a variável central tende a ser o desempenho por espaço ocupado, e não apenas a novidade do produto. A análise da margem de contribuição por produto pode ajudar a separar volume de vendas de contribuição efetiva para a operação.

Até a data da apuração, o grupo não havia divulgado redes parceiras, quantidade de freezers, formato comercial, modelo de comodato ou cidades que receberiam os primeiros produtos. Portanto, ainda não é possível afirmar que a Match Protein já tenha garantido presença em supermercados.

A meta anunciada de 3 mil pontos de venda em 2027 deve ser lida nesse contexto: trata-se de um objetivo comercial, não de uma base já contratada. A velocidade dessa expansão dependerá do desempenho inicial da marca, da capacidade de distribuição e das negociações com varejistas.

A categoria de sorvete proteico já tem concorrentes e o atributo não basta

O Grupo The Best entra em uma categoria que não está vazia. A Bacio di Latte anunciou, em maio de 2026, uma linha de gelatos sem açúcar e milkshakes com 30 gramas de proteína em embalagens de 490 ml. A Fit Frost divulga um produto de 500 ml com 30 gramas de proteína e zero açúcares adicionados.

A existência dessas ofertas não permite comparar vendas, qualidade, preço ou participação de mercado. Também não é possível concluir que os produtos tenham formulações equivalentes. Mas ela mostra que proteína e redução de açúcar já são atributos explorados por empresas de portes e canais distintos.

A Match Protein informou que seus potes de 500 ml deverão ter 30 gramas de proteína e preço sugerido de aproximadamente R$ 49,90. Sem rótulo completo, ingredientes, tabela nutricional integral ou laudos públicos, não é possível avaliar a composição de forma independente, comparar densidade proteica ou verificar eventuais alegações nutricionais.

A comunicação nessa categoria exige atenção adicional. A Anvisa possui regras para rotulagem e alegações nutricionais, incluindo critérios para expressões relacionadas a proteínas.

Portanto, a diferenciação comercial dependerá não só da promessa do produto, mas da formulação efetivamente colocada no mercado e da forma como ela será apresentada ao consumidor.

O que esse caso ensina a quem empreende

O principal aprendizado não está no sorvete em si, mas na lógica de expansão. Empresas que já possuem ativos operacionais podem buscar novos mercados sem necessariamente criar uma estrutura inteiramente nova.

No caso do Grupo The Best, os ativos usados como base são claros: indústria própria, experiência com congelados, rede franqueada, relacionamento com operadores locais e presença em delivery. A nova marca busca converter esses recursos em acesso a um canal adicional, o varejo alimentar.

Para outras empresas, a lição é que diversificar não significa apenas acrescentar um SKU. Antes de criar uma nova marca, é preciso identificar quais ativos podem ser reaproveitados e quais lacunas continuam abertas.

Uma fábrica não resolve, por si só, distribuição. Uma rede de lojas não garante adesão dos franqueados. E uma marca com apelo funcional não assegura recompra.

Também há uma decisão relevante de arquitetura de marca. Ao manter a Match Protein separada da The Best Açaí, o grupo pode testar um posicionamento voltado a um público mais amplo de sobremesas congeladas.

Em contrapartida, terá de construir reconhecimento, comunicar proposta de valor e competir por atenção fora do canal original.

Empreendedores que desejam replicar a lógica precisam calcular o custo da complexidade. Um novo canal costuma exigir política comercial própria, estoque separado, suporte ao cliente, planejamento de demanda, tecnologia integrada e governança clara com parceiros.

Onde pode existir uma oportunidade de negócio

A possível expansão de marcas congeladas com atributos nutricionais pode abrir espaço para fornecedores especializados, embora não haja indicação de contratações específicas pela Match Protein.

Uma frente é a cadeia fria. Operadores de transporte refrigerado, manutenção de freezers, monitoramento de temperatura, locação de equipamentos e distribuidores regionais podem encontrar demanda em projetos que buscam ampliar a presença de produtos congelados fora de grandes centros.

O problema a resolver é garantir disponibilidade e temperatura adequada sem elevar demais o custo de distribuição.

Outra oportunidade está em soluções operacionais para franquias e delivery. Marcas que usam lojas existentes como hubs podem precisar integrar cardápios, prever demanda, controlar estoque por canal e treinar equipes para evitar falhas de separação e entrega.

Empresas de software para food service, integradores de marketplaces e consultorias operacionais podem atuar nesse ponto.

Há ainda espaço potencial para fornecedores de ingredientes, embalagens, desenvolvimento de produto e consultoria regulatória. Produtos congelados com proteína exigem equilíbrio entre textura, sabor, estabilidade, custo e comunicação compatível com regras sanitárias.

Isso não significa que haverá demanda automática, mas indica uma especialização cada vez mais relevante na cadeia de alimentos funcionais.

O que ainda precisa ser comprovado

As projeções anunciadas pelo Grupo The Best são ambiciosas. A empresa estima receita de R$ 40 milhões no primeiro ano da Match Protein, faturamento de R$ 2 milhões nos últimos meses de 2026 e cerca de R$ 100 milhões em sell-out no primeiro ano.

Esses valores dependem de uma série de condições ainda não detalhadas publicamente: lançamento dentro do cronograma, produção em escala, adesão dos canais, disponibilidade de freezers, giro por loja, recompra e eficiência logística.

Também deve ser tratada com cautela a estimativa de que o mercado brasileiro de sorvetes proteicos poderá alcançar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão nos próximos anos. Trata-se de uma projeção atribuída ao CEO do grupo, sem metodologia pública identificada.

O contexto geral do setor, por outro lado, mostra que há espaço competitivo relevante. A Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS) estima que o mercado brasileiro de sorvetes reúne cerca de 11 mil empresas e movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano.

Segundo a entidade, aproximadamente 92% das empresas são micro e pequenas.

Para empresas menores, a chegada de novos competidores estruturados pode aumentar a disputa por espaço no varejo. Mas também pode estimular fornecedores e marcas regionais a buscar diferenciação em formulação, distribuição local, atendimento a nichos e parcerias comerciais.

Perguntas frequentes

O sorvete proteico da Match Protein já está à venda?

Não. Até 20 de outubro de 2026, o projeto estava em fase de preparação. O Grupo The Best previa o lançamento comercial até 10 de novembro de 2026.

Qual será o investimento na nova marca?

A companhia informou investimento de aproximadamente R$ 5 milhões até dezembro de 2026. O valor é previsto e inclui, segundo a reportagem da EXAME, nova linha de produção, desenvolvimento de produtos e estruturação da marca.

Onde o sorvete proteico deve ser vendido?

O plano informado prevê varejo alimentar, outros estabelecimentos comerciais e delivery. Inicialmente, o foco seria Paraná e São Paulo, especialmente a capital paulista.

A The Best Açaí venderá a Match Protein em todas as lojas?

Não há confirmação disso. O grupo disse que pretende usar lojas da The Best Açaí como apoio para delivery e anunciou meta de ativar pelo menos 350 operações inicialmente, mas não divulgou uma lista de unidades participantes.

Os dados nutricionais do produto já foram confirmados?

A empresa anunciou 30 gramas de proteína por pote de 500 ml. No entanto, até a data da apuração, não foi localizada ficha técnica pública, rótulo completo ou avaliação independente da composição.

Fontes consultadas

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